segunda-feira, 6 de novembro de 2006
domingo, 5 de novembro de 2006
Mentira

"De mim não falo mais :não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.
Nem de existir, que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver, que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.
Por mais justiça ... - Ai quantos que eram novos
em vão a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade... Ó transfusão dos povos!
Não há verdade: O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais,todos mentiram."
sexta-feira, 3 de novembro de 2006
Agonia

quinta-feira, 2 de novembro de 2006
quarta-feira, 1 de novembro de 2006
Tristeza

terça-feira, 31 de outubro de 2006
Facto
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Sagrado

"(...) Mas do que eu mais gosto é de quando me acompanhas em passeio. Às vezes saio só, mas tu vens ter comigo ao caminho. Ou de relembrar-te outrora quando te via passar. Havia em ti uma sacralidade intocável, na tua anca fina ondeando por entre outras raparigas. E essas jovens eu sentia que as podia tocar sem estremecer, sem uma grande distância até elas. Mas a ti envolvia-te um halo numinoso e eu sentia que num gesto meu ia a tua profanação sacrílega, qualquer coisa assim como creio já ter dito. Violar o sagrado de ti, que odioso prazer na minha violência. Transpor a enorme distância que ia da minha condição terrestre à tua sacralidade e para lá dela ao teu corpo. Via-te às vezes com outras mulheres e sentia bem que não eras da sua condição. Porque elas eram materiais concretas manipuláveis e tu eras de uma outra ordem de se ser. Como uma deusa que estivesse de passagem, jamais te falei assim porque tu ignoravas o que havia em ti de transcendência e querias que não houvesse e eu fosse mais quotidiano e talvez que te magoasse. Querias ser real para mim e que eu praticasse a tua realidade. Talvez que se te batesse, palavra, às vezes penso, no desespero de relembrar quanto te amei para além de ti e quanto tu querias que não. (...)"
Vergílio Ferreira, in 'Cartas a Sandra'
domingo, 29 de outubro de 2006
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Espera

Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro."
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
Estarei contigo

in "Que Falta Você Me Faz" por Maria Bethânia
terça-feira, 24 de outubro de 2006
O segredo do futuro

(Roubado daqui)
quinta-feira, 19 de outubro de 2006
Intemporal

Sempre me achaste um fraco. E de facto ao pé de ti eu era vulnerável. Quebraste as barreiras do meu isolamento e com isso destruíste-me as defesas. Na altura, disseste, era o preço a pagar pelo teu amor. Nunca fomos felizes e ainda assim, a tua morte acabou por tornar-se na forma de me pertenceres para sempre. Porque me apropriei da tua memória e agora sinto que só a mim me pertences. É irónico, não é? Enquanto viveste nunca conseguimos realmente pertencer um ao outro. E agora já não há nada que te arranque de mim porque a tua existência tornou-se intemporal. Há noites em que sei perfeitamente que estás ao meu lado, porque sinto o teu calor, porque ouço o teu respirar e até consigo tocar-te. Imagino-me a percorrer o teu corpo com as minhas mãos, com um toque suave que te causa arrepio. E tu a deixares-te amar de um modo confortável e descomprometido, como nunca fizeste."
quarta-feira, 18 de outubro de 2006
Cansaço

"La mort est à mes yeux aujourd'hui
Comme la guérison pour le malade,
Comme de sortir après avoir souffert.
La mort est à mes yeux aujourd'hui
Comme le parfum de la myrrhe,
Comme de s'asseoir sous un dais un jour où souffle la brise.
La mort est à mes yeux aujourd'hui,
Comme le parfum du lotus,
Comme de s'asseoir sur la rive du pays de l'ivresse.
La mort est à mes yeux aujourd'hui
Comme le chemin de la pluie battante,
Comme le retour du soldat à la maison.
La mort est à mes yeux aujourd'hui
Comme une éclaircie dans le ciel,
Comme de comprendre une énigme.
La mort est à mes yeux aujourd'hui
Comme le désir d'un homme de revoir sa maison
Après de longues années de captivité."
(1990 AC, aproximadamente)
terça-feira, 17 de outubro de 2006
Burning Heart

Could he daily feel a stab of hunger for her and find nourishment in the very sight of her? I think so. Would she see through the bars of his plight and ache for him?”
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Infância

sexta-feira, 13 de outubro de 2006
Fragilidade

quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Realista

Se não fosse o sonhar sempre, o viver num perpétuo alheamento, poderia, de bom grado, chamar-me um realista, isto é, um indivíduo para quem o mundo exterior é uma nação independente. Mas prefiro não me dar nome , ser o que sou com uma certa obscuridade e ter comigo a malícia de me não saber prever."
terça-feira, 10 de outubro de 2006
Inocência

segunda-feira, 9 de outubro de 2006
Para ti
Crepúsculo

"Tão abstracta é a ideia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a ideia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo."
domingo, 8 de outubro de 2006
Infinito da tua perfeição

sexta-feira, 6 de outubro de 2006
Partida

"A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida."
Sophia de Mello Breyner, in 'Poesias'
terça-feira, 3 de outubro de 2006
Outro

"Não sei quem sou, que alma tenho. Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou váriamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros). Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpétuamente me ponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho. Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Como o panteísta se sente árvore [?] e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
Pedra Escura

"Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
e estas mãos noturnas onde aperto os meus dias
quebrados na cintura."
Segredos

"Meu amor, porque me prendes?
Meu amor, tu não entendes,
Eu nasci para ser gaivota.
Meu amor, não desesperes,
Meu amor, quando me queres
Fico sem rumo e sem rota.
Meu amor, eu tenho medo
De te contar o segredo
Que trago dentro de mim.
Sou como as ondas do mar,
Ninguém as sabe agarrar,
Meu amor, eu sou assim.
Fui amada, fui negada,
Fugi, fui encontrada,
Sou um grito de revolta.
Mesmo assim, porque te prendes?
Foge de mim, não entendes?
Eu nasci para ser gaivota. "
sábado, 30 de setembro de 2006
Liberdade

sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Outono

"É outono, desprende-te de mim.
Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.
Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.
Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra."
sábado, 23 de setembro de 2006
Fica

quarta-feira, 20 de setembro de 2006
Depois beijo-te
Inspiras-me.
Com o olhar.
Com ternura.
Sem pressa.
Descubro-te.
Revelas-me.
Sinto-te:
Somos um.
Somos tudo.
Exorciso o Nada.
Respiro-te.
E depois?
Depois beijo-te.
(Pedro Rapoula)
terça-feira, 19 de setembro de 2006
Medo

segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Morte

sábado, 16 de setembro de 2006
Maria Callas, 1923 - 1977

quinta-feira, 14 de setembro de 2006
Chuva

terça-feira, 12 de setembro de 2006
Outro

segunda-feira, 11 de setembro de 2006
Derrota

Ausência
quinta-feira, 7 de setembro de 2006
Caminho

"Hoje arrependo-me mil vezes de não termos ficado apenas amigos, como me propuseste na semana em que nos conhecemos, quando completamente embriagado de paixão, pedi que casasses comigo. Vamos ser só amigos, disseste, bons e grandes amigos. Mas, amigos? Como gostaria de ser teu amigo, mas não posso. Não posso porque quem ama pode jurar mil vezes por dia que só sente amizade, para que, na primeira oportunidade sinta ódio, desespero, solidão, ciúme e todos os sentimentos entrelaçados com o amor. (...)
Ainda sabes o caminho de regresso para mim?"
Música

Agora parou. Fuma um charro com dois miúdos que também já o escutam há algum tempo. O silêncio de volta à rua devolve-me alguma lucidez. Volto a perceber que estou em Lisboa,que estou sozinho, que tu partiste e que a vida reorganizar-se-á na tua ausência.
Conversam animadamente enquanto partilham o tal charro. Tenho vontade de me juntar a eles, a fumar algo que me faça esquecer a minha dor. O vinho que bebi ao almoço começa a perder o seu efeito e eu não quero estar sóbrio. Há demasiado sol e é demasiado cedo para ficar consciente.
É na minha consciência que me torturas. É na minha consciência que a tua falta dói mais, a segurares-me, a compores-me, a insistires para que fosse sério, adulto, bem comportado.
Recomeçaram a tocar. Quero voar nesta música. Quero sentir que não estou de facto aqui, que posso estar em qualquer lugar. Quero fugir de ti, de mim, de tudo o que me prende ao nosso mundo. Quero estar só, ficar só, dormir só, mas morro de medo da minha solidão. Morro de medo da tua saudade… Quero viver sem ti e não sei. Quero respirar fundo e serenar
por te saber ausente, como se esta tua ausência não me fosse destruindo por dentro.
A música continua a percorrer-me. Sinto-me assustado. São ritmos quentes, que me atiram à cara as recordações de ti, que me transportam aos teus pés.
Ouço o rio a correr, lá longe, e de súbito, os minutos passam por mim com indiferença, como se o meu sofrimento pouco importasse.
Estou cansado.
Quero viver sem ti e não posso.
Quero possuir-te e odeio-te.
Quero tocar-te e não suporto ver-te.
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
De noite...

"Quando me deito ao pé da minha dor,
Minha Noiva-fantasma; e em derredor
Do meu leito, a penumbra se condensa,
E já não vejo mais que a noite imensa,
Ante os meus olhos intimas, acesos,
Extáticos, surpresos,
Aparece-me o Reino Espiritual...
E ali, despido o hábito carnal,
Tu brincas e passeias; não comigo,
Mas com a minha dor ... o amor antigo.
A minha dor está comigo ali,
Como outrora, eu estava ao pé de ti ...
Se eu fosse a minha dor, com que alegria,
De novo, a tua face beijaria!
Mas eu não sou a dor, a dor etérea ...
Sou a Carne que sofre; esta miséria
Que no silêncio clama!
A Sombra, o Corpo doloroso, o Drama ..."
terça-feira, 5 de setembro de 2006
Amanhã

sexta-feira, 25 de agosto de 2006
Três

Onde queres descanso sou desejo e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada nada falta e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas o chão minha alma salta e ganha liberdade na amplidão
Onde queres Leblon sou Pernambuco e onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez, e onde vês eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo eu sou o irmão e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o livre, decassílabo e onde buscas o anjo sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói e onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução e onde queres bandido sou herói
Encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés e vê só que cilada o amor me armou
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres a lua eu sou o sol e onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério eu sou a luz e onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro e onde queres coqueiro sou obus
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal e eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total do querer que há e do que não há em mim
Ah! bruta flor, bruta flor
quinta-feira, 24 de agosto de 2006
Grito de Alerta

"Primeiro você me azucrina, me entorta a cabeça
Me bota na boca um gosto amargo de fel
Depois vem chorando desculpas, assim meio pedindo
Querendo ganhar um bocado de mel
Não vê que então eu me rasgo, engasgo, engulo
Reflito e estendo a mão
E assim nossa vida é um rio secando
As pedras cortando e eu vou perguntando: até quando?
São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo
Arrasando aos poucos com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo de gritos e gestos
Num jogo de culpa que faz tanto mal
Não quero a razão pois eu sei o quanto estou errado
O quanto já fiz destruir
Só sinto no ar o momento em que o copo está cheio
E que já não dá mais pra engolir
Veja bem, nosso caso é uma porta entreaberta
Eu busquei a palavra mais certa
Vê se entende o meu grito de alerta
Veja bem, é o amor agitando meu coração
Há um lado carente dizendo que sim
E a vida da gente gritando que não."
quarta-feira, 23 de agosto de 2006
O amor também acaba

sábado, 12 de agosto de 2006
Volúpia

sexta-feira, 4 de agosto de 2006
ELIZABETH SCHWARTZKOPF (1915-2006)

"Donde lieta uscì
al tuo grido d'amore,
torna sola Mimí
al solitario nido.
Ritorna un'altra volta
a intesser finti fior.
Addio, senza rancor.
Ascolta, ascolta.
Le poche robe aduna
che lasciai sparse.
Nel mio cassetto
stan chiusi quel cerchietto d'or
e il libro di preghiere.
Involgi tutto quanto in un grembiale
e manderò il portiere...
Bada, sotto il guanciale
c'è la cuffietta rosa.
Se vuoi serbarla a ricordo d'amor!
Addio, senza rancor."
Giacomo Puccini
segunda-feira, 31 de julho de 2006
Fim

quinta-feira, 27 de julho de 2006
"The Peace of Wild Things"

"When despair for the world grows in me
and I wake in the night at the least sound
in fear of what my life and my children's lives may be,
I go and lie down where the wood drake
rests in his beauty on the water, and the great heron feeds.
I come into the peace of wild things
who do not tax their lives with forethought
of grief. I come into the presence of still water.
And I feel above me the day-blind stars
waiting with their light. For a time
I rest in the grace of the world, and am free."
sexta-feira, 21 de julho de 2006
"They are just trying to survive...!"

Conheci o meu amigo Rany Saad vai fazer três anos em Setembro. Eu fazia parte da equipa portuguesa e ele da francesa, numa viagem (de luxo) que a Mercedes Benz promoveu na altura para fazer a apresentação do novo modelo Classe A.
Posso dizer que a nossa amizade foi praticamente instantânea, não se juntando água mas sim gin. Depois de uns dias divertidos nas melhores estradas da Europa e de muitas festas faustosas nas principais capitais europeias, cada um voltou às suas vidas com a certeza de que voltaríamos a estar juntos. Nem que fosse para assistirmos aos respectivos casamentos.
Não foi preciso passar tanto tempo e nesse mesmo ano o Rany veio a Lisboa por ocasião do meu aniversário. Aí, longe do brilho das festas Mercedes, tivemos oportunidade de conversar muito. O Rany era (é) um representante de duas culturas uma vez que é franco-libanês. Aproveitei para lhe fazer na altura todas as perguntas que esclarecessem de uma vez as minhas dúvidas sobre o Islão, sobre o ser muçulmano, sobre o "não ser ocidental". Ele, pacientemente foi respondendo.
A nossa amizade continuou e tem crescido à distância. Ele liga-me, eu ligo-lhe e torcemos pelas respectivas selecções no Mundial. Eu admirei o telefonema dele quando Portugal foi eliminado dizendo que tinha sido muito injusto para nós. E a partir desse dia vesti a camisola da selecção francesa. Até ao desfecho que se conhece.
De há uns dias para cá tenho pensado muito no Rany. Desde que começou a ofensiva militar no Líbano. Os pais dele (que não conheço mas que, segundo me disse o Rany, rezam por mim com frequência) vivem em Beirute. Assim como toda a família de Rany. Tentei ligar-lhe vezes sucessivas sem sucesso. Até hoje.
Falei com ele e percebi que a guerra não é lá longe. Com uma profundíssima tristeza na voz contou que à volta de casa dos pais só existe morte e destruição. As notícias que lhe chegam (ele vivem em Amsterdão) são escassas e o meu amigo treme sempre que o telefone toca por achar que vai receber a notícia que teme receber. Os pais do Rany estão em perigo. Assim como toda a família dele.
Não há muito a fazer, diz ele. Quando lhe perguntei como estava a família, a resposta foi lacónica: "They are just trying to survive". Esmagador.
O Rany está hoje um homem diferente. Para trás ficaram já os planos que fizemos para irmos juntos ao Líbano para eu conhecer a irmã que queria tanto apresentar-me. O Líbano que ele queria mostrar-me está a desaparecer rapidamente às mãos de Israel.
No dia de hoje, para o meu amigo Rany e para toda a família Saad, fica a minha oração. Em Portugal existe uma família que reza por uma família no Líbano. Uma oração a um Deus que é o mesmo. Pela paz que todos desejamos.
quarta-feira, 19 de julho de 2006
Lucidez








