"(...) Prometi a mim mesmo que vou regressar à vida. Para isso inventei um ritual. Agarrei na caixa que tenho com as infinitas fotografias que te tirei e decidi que todos os dias escolho uma. Passo horas a fixá-la até a conhecer de cor e no fim rasgo-a em mil pedaços. Conto com isto acabar com todas a fotografias e poder enfim passar a um plano menos corpóreo da tua memória. Porque se conseguir fixar todos os teus traços e expressões, não vai haver perigo de que te esqueça. É disso que tenho medo. De me esquecer da tua cara. Há histórias de pessoas que a pouco e pouco vão esquecendo as feições dos que mais amaram. (...) Mas já pensaste o que seria, se te esquecesse?quarta-feira, 20 de junho de 2007
De que foges
"(...) Prometi a mim mesmo que vou regressar à vida. Para isso inventei um ritual. Agarrei na caixa que tenho com as infinitas fotografias que te tirei e decidi que todos os dias escolho uma. Passo horas a fixá-la até a conhecer de cor e no fim rasgo-a em mil pedaços. Conto com isto acabar com todas a fotografias e poder enfim passar a um plano menos corpóreo da tua memória. Porque se conseguir fixar todos os teus traços e expressões, não vai haver perigo de que te esqueça. É disso que tenho medo. De me esquecer da tua cara. Há histórias de pessoas que a pouco e pouco vão esquecendo as feições dos que mais amaram. (...) Mas já pensaste o que seria, se te esquecesse?segunda-feira, 18 de junho de 2007
Perdido no vazio de outros passos
"Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar
E nesse desepero em que me vejo
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas vezes por você
só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la."
Caetano Veloso
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Regresso à solidão
O "meio-termo" não me chega, disse-te eu no meio das lágrimas. "Amo-te mas quero mais. Não posso viver com alguém que se contenta com as pequenas migalhas de tempo que me sobram." As tuas lágrimas continuavam a correr como um rio e ainda assim, quebrado por dentro, eu não conseguia parar de falar. "Regresso à solidão de onde saí quando te conheci". Saíste do carro e a chuva não parava. Fiquei ali a ver-te entrar no prédio e esperei que acendesses a luz da casa que construímos juntos. Voltaste atrás e pediste que me fosse embora mas estranhamente não conseguia ligar o carro, como se o ir-me embora significasse deixar-te para sempre.Nunca imaginei que a nossa relação pudesse terminar assim. Mas a chuva de Junho devia ser um prenúncio de que as coisas iam chegar ao fim. Não te amei à primeira vista como me disseram que aconteceria quando conhecesse o grande amor da minha vida. Por isso, agora que chegou o fim, a dor que sinto vale por todas as pessoas que amei e que perdi até hoje.
O tempo cura tudo. Mas as cicatrizes não desaparecem nunca. O fim de um grande amor deixa uma marca e um vazio tão grande que não imagino que o tempo alguma vez vá apagar o teu cheiro, o teu sorriso, o brilho dos teus olhos quando me vias chegar, os beijos apaixonados que me davas quando nos despedíamos, a alegria do teu rosto quando estávamos juntos, a escolha cuidada das tuas palavras para me agradares.
Agora é real. Acabou mesmo. Lembro-me de algo que escrevi no passado e vejo que depois de te conhecer tudo faz mais sentido: "O teu olhar fazia-me acreditar na distância do eterno e na proximidade do amor. Quando a nossa entrega era real, o tempo tornava-se nosso aliado e os momentos de eternidade pareciam estar em nós. E aí, viver de ti e para ti parecia-me a única saída. A forma como nos amávamos era intemporal e o modo como sorrias não fazia mais que confirmar essa intemporalidade. Olho em volta e não te encontro e neste momento de uma lucidez cortante apercebo-me de que te perdi. Faço um esforço para acreditar que não partiste, que te pertenço, que me pertences e para nós não existe tempo nem espaço. Nós somos o tempo e o espaço, a noite e o dia, o longe e o perto. Não no sentido antagónico das verdades mas na verdade complementar dos sentidos: viver em nós, morrer em mim. Olho em volta, mais uma vez, e a tua ausência subitamente não faz sentido porque te amo, porque me amas e porque é em ti que me preencho. Sinto o teu cheiro em mim e vejo o teu corpo no meu. Porque é aí que existes, na procura que fazemos um do outro. Em qualquer outra noite sei que estendo o braço e no teu lado frio da cama descubro o corpo quente e familiar que me completa e me acalma. Chamo por ti e o teu nome enche o espaço como se o ar não existisse no deserto da tua presença. E sei que respondes com o sim que nunca disseste e com a aceitação de um amor que nunca recebeste."
Curiosamente fui eu que, em nome de não sei bem o quê, abdiquei do teu amor e da tua entrega. Regresso à solidão. E só a memória dos nossos momentos felizes fará com que o meu Verão não seja tão frio como a chuva que caiu no momento em que liguei o carro e me afastei da tua rua.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Parcela de ilusão
A minha solidão
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Deixa-me ser feliz
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada."
terça-feira, 12 de junho de 2007
Quase esquecimento
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo."
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Sempre, então...
- Bem...
- Cansado. Muito cansado. Excessivamente cansado.
- Vai para casa e dorme.
- Não percebeste... Estou irremediavelmente cansado.
- Vai descansar, por favor... Dorme.
- Estou aqui para ti.
- Ok, mas não é preciso estares...
- Estarei sempre.
- Sempre?
- Mesmo que não queiras.
- "Sempre" não é exagero?
- Não, porquê?
- Sim.
- Qual é o interesse de estares mesmo que eu não queira? És masoquista?
- Sim.
- Isso é território dos amigos. "Estar sempre" só os amigos é que o fazem..
- E que sou eu?
- Muito bem. Sempre, então...
terça-feira, 5 de junho de 2007
Hoje nada sou
"Você, que tanto tempo faz,
Você que eu não conheço mais
Você, que um dia eu amei demais
Você, que ontem me sufocou
De amor e de felicidade
Hoje me sufoca de saudade
Você, que já não diz pra mim
As coisas que eu preciso ouvir
Você, que até hoje eu não esqueci
Você que, eu tento me enganar
Dizendo que tudo passou
Na realidade, aqui em mim você ficou
Você que eu não encontro mais
Os beijos que já não lhe dou
Fui tanto pra você
E hoje nada sou"
Roberto Carlos
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Um céu para me acontecer...
"Entrego ao vento os meus aisOnde o desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata
Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde
Na vontade de ser tua
Quero ser
Eu sou assim
Sete pedaços de vento
Sete vozes no jardim
No jardim que eu própria invento
Sete ares de nostalgia
Sete perfumes diversos
Nos cristais da fantasia
Amante de amores dispersos
Sete gritos por gritar
Sete silêncios viver
Sete luas por brilhar
E um céu para me acontecer
Entrego ao vento os meus ais
Onde desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata
Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde na vontade de ser tua
Que o desejo não me guarde na vontade de ser tua
Que o desejo não me guarde na vontade de ser tua"
quinta-feira, 31 de maio de 2007
De Amicitia
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Alma inquieta
Bebo as rimas deste canto
No mar alto desta terra
Nada a razão do meu pranto.
Mas no terreiro da vida
O jantar serve de ceia
E mesmo a dor mais sentida
Dá lugar à sapateia.
Refrão
Ó meu bem ó chamarrita
Meu alento e vai e vem
Vou embarcar nesta dança
Sapateia, ó meu bem.
Se a sapateia não der
P'ra acalmar minha alma inquieta
Estou pró que der e vier
Nas voltas da chamarrita.
Chamarrita Sapateia
Eu quero é contradizer
No alento desta bruma
Que ás vezes me que vencer."
sábado, 26 de maio de 2007
Still nights

of those that death has taken, or of those
that are, for us, lost, even as are the dead.
at times in thought they echo through the brain.
And, with the sound of them, awhile recur
sounds from the first poetry of our lives, —
like music, on still nights, far off, that wanes."
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Sentido
És o que no fim de contas me lembra só. Como se toda a vida se reunisse nela e nela se iluminasse e tivesse sentido."
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Do outro lado
Não chames, não perguntes, ninguém responderá,
nada pode abri-la,
nem a gazua da curiosidade
nem a pequena chave da razão
nem o martelo da impaciência.
Não fales, não perguntes,
aproxima-te, encosta a orelha:
- não ouves a respiração?
Lá do outro lado,
como tu alguém pergunta:
- que há atrás dessa porta?"
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Espaço negro
"Não vás. E não fui. Ainda que todo o dia, toda a vida, tivesse esperado aquele instante, único entre todos os instantes, ainda que tivesse imaginado o mundo ao pormenor depois da fronteira pequena daquele instante, não fui. Não vás. Ainda que se tivesse levantado uma cegonha a planar como um abraço que nunca demos, mas que julgámos possível, ainda que todo eu a tenha olhado, ainda que lhe tenha dito espera por mim, hoje vou buscar-te, ainda que o crepúsculo nos tenha visto onde só vão os mais sinceros, entrei neste quarto, e deitei-me nesta cama, e deixei que o instante único passasse indistinto e que toda a minha vida se tornasse um lugar penoso de instantes desperdiçados, instantes desperdiçados antes do tempo, durante o fastidioso do seu tempo, depois da memória má do seu tempo, no tédio de não ter e de não esperar nada. Não vás. E não fui. (...)Abro e fecho a porta da rua. A noite é como a conheço: negra e profunda, a isolar-me dentro de si e a dizer-me que também eu sou a noite que a noite é. Não ponho as mãos nos bolsos, deixo-as e deixo os braços. Levanto a cabeça e olho a noite no céu, não as estrelas, mas o espaço negro que as separa."
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Nunca possuir
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.
Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh'alma pára e não os sente!
Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção p'ra me afundar no lodo.
Não sou amigo de ninguém. P'ra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse - ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...
Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...
Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...
Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim - ó ânsia! - eu a teria...
Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...
De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo."
domingo, 13 de maio de 2007
Avec le temps
"Avec le temps...
avec le temps, va, tout s'en va
on oublie le visage et l'on oublie la voix
le cœur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller
chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien
avec le temps...
avec le temps, va, tout s'en va
l'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie
l'autre qu'on devinait au détour d'un regard
entre les mots, entre les lignes et sous le fard
d'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
avec le temps tout s'évanouit
avec le temps...
avec le temps, va, tout s'en va
mêm' les plus chouett's souv'nirs ça t'as un' de ces gueules
à la gal'rie j'farfouille dans les rayons d'la mort
le samedi soir quand la tendresse s'en va tout' seule
avec le temps...
avec le temps, va, tout s'en va
l'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien
l'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux
pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous
devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens
avec le temps, va, tout va bien
avec le temps...
avec le temps, va, tout s'en va
on oublie les passions et l'on oublie les voix
qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens
ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid
avec le temps...
avec le temps, va, tout s'en va
et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu
et l'on se sent glacé dans un lit de hasard
et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard
et l'on se sent floué par les années perdues
- alors vraiment
avec le temps on n'aime plus"
sábado, 12 de maio de 2007
Almost literature
- Miss you...
- Not more than I do...
- And why all this...?
- I'm looking for seduction, desire and true love. You were quite clear about what you'd have to give. So I just came back to reality. Easy?
- Seduction was always there. Desire too... True love comes with time... Well you're the master... Maybe you're right being so defensive... Miss you anyway...
- I didn't say anything had to be there right away, you just need to feel things available to come. And one action makes the other react. We're never sure, off course. That's life. I decided to live it strong: I need to feel things the way I have them to give. Maybe that's a problem...
- Maybe I have to say sorry... But I like you and I miss you anyway...
- If you feel it, say it. All I ever need is truth or sincerity.
- Did you ever feel that I wasn't true to you?
- Maybe yes, I do. I felt too much poetry and less passion for reality. They're both roles to play, the way I feel them and the way I believe them.
- I'm sorry if I've disappointed you. I care too much for you... I really do...
- And maybe I wanted you too much. That's the way things are. At one point you have to carry them and keep on driving with your goals. Even if it hurts...
- There is something stupid with timings in life... Sometimes you meet a person that seems so right but you meet him on the wrong time... Why is that? To test us? To make us feel bad?
- That's just because it's not the person. I believe. But, who am I?
- You are who you are and I am who I am... And time is what it is... And missing you hurts. And you stepped out of the game. Lack of courage or fear of getting hurt? Am I that bad? Was the set so scary? What have we done to our joy of laughing together...? We could/should have done love and not war...
- I never gave you the right to put me on a stand by shelf. I'm sorry if you have timing problems. To laugh together is better than an orchestra: is to be there completely and give yourself. You feel stupid if you realise you're laughing alone. I've had too much of that. This is not easy for me, really.
- Ok... (silence)
- Maybe one day, if you feel it. Maybe I'm still here falling asleep with movies and having casual flirts to find you. Maybe not. That's the timing problem. I really like you. So maybe I will. Have fun.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Desespero
"As God is my witness, as God is my witness they're not going to lick me. I'm going to live through this and when it's all over, I'll never be hungry again. No, nor any of my folk. If I have to lie, steal, cheat or kill. As God is my witness, I'll never be hungry again."
Margaret Mitchell in 'E tudo o vento levou'
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Puro irreal
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Tout peut s'oublier
"Ne me quitte pas, Il faut oublier, Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà Oublier le temps Des malentendus Et le temps perdu
A savoir comment Oublier ces heures Qui tuaient parfois A coups de pourquoi Le cœur du bonheur
Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai Des perles de pluie Venues de pays Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre Jusqu'après ma mort Pour couvrir ton corps D'or et de lumière
Je ferai un domaine Où l'amour sera roi Où l'amour sera loi Où tu seras reine
Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas
Je t'inventerai Des mots insensés Que tu comprendras
Je te parlerai De ces amants-là Qui ont vu deux fois Leurs cœurs s'embraser
Je te raconterai L'histoire de ce roi Mort de n'avoir pas Pu te rencontrer
Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas
On a vu souvent Rejaillir le feu D'un ancien volcan Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il Des terres brûlées Donnant plus de blé Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir Pour qu'un ciel flamboie Le rouge et le noir Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer Je ne vais plus parler
Je me cacherai là A te regarder Danser et sourire Et à t'écouter Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir L'ombre de ton ombre L'ombre de ta main L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas."
Jacques Brel, 1959
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Momento
Ah, balouçado na sensação das ondas! Ah, embalado na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã, de pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas, de não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali, em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse. Ah, afundado num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono, irrequieto tão sossegadamente, tão análogo de repente à criança que fui outrora quando brincava na quinta e não sabia álgebra, nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.
Ah, todo eu anseio por esse momento sem importância nenhuma na minha vida. Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos — Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma, aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender. E havia luar e mar e a solidão (...)."
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Falta
terça-feira, 1 de maio de 2007
My face is not sad, but inside, I am sad
"In any other worldYou could tell the difference
And let it all unfurl
Into broken remnants
Smile like you mean it
And let yourself let go
Cos it's all in the hands of a bitter, bitter man
Say goodbye to the world you thought you lived in
Take a bow, play the part of a lonely lonely heart
Say goodbye to the world you thought you lived in
To the world you thought you lived in
I tried to live alone
But lonely is so lonely, alone
So human as I am
I had to give up my defences
So I smiled and tried to mean it
To let myself let go
Cos it's all in the hands of a bitter, bitter man
Say goodbye to the world you thought you lived in
Take a bow, play the part of a lonely lonely heart
Say goodbye to the world you thought you lived in
To the world you thought you lived in
Cos it's all in the hands of a bitter, bitter man
Say goodbye to the world you thought you lived in
Take a bow, play the part of a lonely lonely heart
In any other world
You could tell the difference
"I never ever, I forget my story.
My face is not sad, but inside, I am sad."
segunda-feira, 30 de abril de 2007
A última noite de amor
(...)
Precisava bem de falar de ti, arrumar contigo duas ideias. Não sei bem que ideias sejam antes de as pensar e começarem a existir. Não sei bem o que sejam além desta curiosidade de as pensar... Gostava de saber porque te amo nesta forma estranha de te não ter amado nunca..."
sábado, 28 de abril de 2007
Um ano de Inquietude
in 'Tacones Lejanos' de Pedro Almodovar
Obrigado a todos quantos lêem e seguem as Inquietudes. Um ano de blog, um ano de inquietudes, um ano de amor. Um espaço que surgiu do silêncio e que tem encontrado voz nas palavras dos poetas que mais gosto. Mensagens para ninguém que se dirigem a cada um. Um ano depois continuo a entusiasmar-me com versos alheios. Um ano depois continuo a querer descobrir a foto perfeita para acompanhar as palavras perfeitas. Uma viagem solitária que tem encontrado companhia pelo caminho. A todos muito obrigado.
(O vídeo que ilustra o post? Só uma excentricidade. O que eu estava à procura era mesmo da música da Luz Casal mas no youtube foi só isto que apareceu. Como gostamos de Almodovar e gostamos do kitsch pareceu-nos bem!)
sexta-feira, 27 de abril de 2007
O teu sofrimento
"(...) Lembrei-me daquela vez em que me telefonaste a dizer que querias passar comigo uma noite em cheio. Contavas comigo para te surpreender. Fiquei numa excitação infantil. Fui para casa e como estava uma noite de verão quentíssima achei que poderíamos comer na varanda, que era o mais próximo do grande terraço com que sempre sonhaste... Fiz tudo o que era suposto. Cozinhei as coisas mais sofisticadas que sabia, com direito a entrada e sobremesa. Pus a mesa lá fora, com velas e um ambiente o mais quente e tropical possível, que nos remetesse a um cenário exótico, lembrando talvez as férias em conjunto sempre prometidas, mas nunca cumpridas... Quando acabei todos estes preparativos tomei um daqueles duches que nos deixam preparados para nos amarmos. Vesti uma camisa branca, a tua favorita, e acendi as velas todas da casa. A voz do João Gilberto fez-me companhia na aparelhagem e esperei por ti. Esperei... esperei... e nunca apareceste. Quando te liguei respondeste que não te tinha dado jeito aparecer. “Não te tinha dado jeito”... Como se tudo o que me tinha motivado não significasse nada para ti... E de facto não significava. Não te sei dizer o que senti. quinta-feira, 26 de abril de 2007
Luz
Caminhava se eu pudesse deixar de caminhar
Sentava-me à sombra da nogueira azul do céu
Se eu pudesse deitar-me deitava-me
Numa cova com a forma do meu corpo em
Repouso se eu pudesse deixar de cantar
Fechava os olhos e olhava o alto vazio
Onde não acontece nada a não ser
A conciliação provisória do caos
E da luz que não se cansa de nascer."
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Madrugada
terça-feira, 24 de abril de 2007
Tarde
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!"
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Lonely
I live in a box of paints
I'm frightened by the devil
And I'm drawn to those ones that ain't afraid
I remember that time that you told me,
Love is touching souls
Surely you touched mine
'Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time (...)"
sexta-feira, 20 de abril de 2007
Tudo
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma ideia abstracta,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de carácter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Pergunta
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinzas
e despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enovoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer"
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Alheamento
"Que música escutas tão atentamenteque não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim."
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Nunca se sabe
"Nunca se sabe o que é para sempre, sobretudo nas coisas do amor. E era uma coisa do amor, isto tudo. São tão estranhas as coisas do amor que não se compreendem por inteiro. Tem de se estar sempre a fazer suposições. Nunca se sabe como e até que ponto e até quando. [...]Quando se perde tudo pela primeira vez fica-se com o terror de perder todas as vezes. [...] O primeiro amor dá cabo de nós. E o último é sempre o primeiro."sexta-feira, 13 de abril de 2007
A ausência
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Agora/ Todo o dia
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo d'água se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo d'água por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo d'água ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo d'água protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo d'água tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Estou cansado

Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."
terça-feira, 10 de abril de 2007
Há dias
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Tempo
Levantávamo-nos juntos, abraçados ao sol.
As manhãs eram um céu infinito. O nosso amor
era as manhãs. No tempo em que éramos felizes
o horizonte tocava-se com a ponta dos dedos.
As marés traziam o fim da tarde e não víamos
mais do que o olhar um do outro. Brincávamos
e éramos crianças felizes. Às vezes ainda
te espero como te esperava quando chegavas
com o uniforme lindo da tua inocência.
Há muito tempo que te espero.
Há muito tempo que não vens. "
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Palavras
"Olhava para a fotografia daquela que amei com amor. Amor. Amor. Amor, gostava de dizer esta palavra até gastá-la ainda mais. Amor, gostava de dizer esta palavra até perder ainda mais o seu sentido. Amor. Amor. Amor, até ser uma palavra que não significa nem sequer uma ilusão, uma mentira. Amor, amor, amor, nem sequer uma mentira, nem sequer um sentimento vago e incompreensível. Amor amor amor, até ser nem sequer uma palavra banal, nem sequer a palavra mais vulgar, nem sequer uma palavra. Amoramoramor, até ao momento em que alguém diz amor e ninguém virará a cabeça para ouvir, alguém diz amor e ninguém ouve, alguém diz amor e não disse nada." terça-feira, 3 de abril de 2007
Todos os dias
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer cousa para eu acordar de novo."
segunda-feira, 2 de abril de 2007
sexta-feira, 30 de março de 2007
Desejar
quinta-feira, 29 de março de 2007
The moment
Para ti...quarta-feira, 28 de março de 2007
Creio
terça-feira, 27 de março de 2007
Sentir
"Se eu morrer novo,Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser.
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."
segunda-feira, 26 de março de 2007
Sol
"Há sol na ruaGosto do sol mas não gosto da rua
Então fico em casa
À espera que o mundo venha
Com as suas torres douradas
E as suas cascatas brancas
Com suas vozes de lágrimas
E as canções das pessoas que são alegres
Ou são pagas para cantar
E à noite chega um momento
Em que a rua se transforma noutra coisa
E desaparece sob a plumagem
Da noite cheia de talvez
E dos sonhos dos que estão mortos
Então saio para a rua
Ela estende-se até à madrugada
Um fumo espraia-se muito perto
E eu ando no meio da água seca.
Da água áspera da noite fresca
O sol voltará em breve"
sexta-feira, 23 de março de 2007
Esquecimento
E foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tacteio sombras... que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desde que era meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...
quinta-feira, 22 de março de 2007
Sonolência
quarta-feira, 21 de março de 2007
Primavera
terça-feira, 20 de março de 2007
Promessas

segunda-feira, 19 de março de 2007
Casa
“Afastou-se desculpando-se e regressou a casa, feliz de que a satisfação da sua curiosidade houvesse deixado inato o seu amor e, depois de haver por tanto tempo dissimulado uma espécie de indiferença para com Odette, não lhe ter dado, com uma demonstração de ciúme, a prova de que a amava demasiado, o que, entre dois amantes, dispensa para sempre, aquele que a recebe, de amar o suficiente.”domingo, 18 de março de 2007
Não sei...

cada vez me assusta mais a solidão.
Aos vinte anos, aos vinte cinco,
figurava o paraíso como um quarto vazio,
onde o silêncio de um livro ressoava
pela noite dentro. Protegia dos amigos
minhas horas, dos irmãos, dos apelos
do telefone. Como um cego de nascença,
estudava a escuridão. Sonhava-me
recluso numa ilha de fragais, rodeado,
de trincheiras, distante de pracetas,
acenos, convites pra jantar.
O lamento era o meu hobby preferido.
o sabor de mais um dia derrubado
nos transportes colectivos,
a queda maligna das primeiras folhas;
não sei o que é, talvez o teu amor
comece, pouco a pouco, a civilizar-me.
Agora, se chego a casa e tu não estás,
corro a pôr música, abro janelas,
agarro-me ao telefone, como um náufrago,
incapaz de suportar por um segundo
o terror emboscado debaixo da cama,
atrás das estantes, dentro de mim."







