
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Deste terrível isolamento

sábado, 24 de outubro de 2009
De tristeza, de incerteza
"As coisas estão passando mais depressa
O ponteiro marca 120
O tempo diminui
As árvores passam como vultos
A vida passa, o tempo passa
Estou a 130
As imagens se confundem
Estou fugindo de mim mesmo
Fugindo do passado, do meu mundo assombrado
De tristeza, de incerteza
Estou a 140
Fugindo de você
Eu vou voando pela vida sem querer chegar
Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar
Vivo, fugindo, sem destino algum
Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum
O ponteiro marca 150
Tudo passa ainda mais depressa
O amor, a felicidade
O vento afasta uma lágrima
Que começa a rolar no meu rosto
Estou a 160
Vou acender os faróis, já é noite
Agora são as luzes que passam por mim
Sinto um vazio imenso
Estou só na escuridão
A 180
Estou fugindo de você
Eu vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim
O ponteiro agora marca 190
Por um momento tive a sensação
De ver você a meu lado
O banco está vazio
Estou só a 200 por hora
Vou parar de pensar em você
Pra prestar atenção na estrada"
Roberto Carlos por Marília Pera, in 'Elas Cantam Roberto Carlos'
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
O meu futuro
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Este céu
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Se bastasse
´
"Ai meu amor se bastasse
Saberes que eu te amo tanto
E cada vez que eu cantasse
Ai meu amor se bastasse
Saberes que é por ti que eu canto
Ai meu amor se bastasse
O que a cantar eu consigo
E mesmo que eu não cantasse
Ai meu amor se bastasse
O que a falar eu não digo
Ai meu amor se bastasse
Eu saber que te não basta
E na vida que eu gastasse
A cantar eu reparasse
Que a nossa vida está gasta
Se o que eu tenho p'ra te dar
Quando eu canto te chegasse
Se isso pudesse bastar
Se me bastasse cantar
Ai meu amor se bastasse"
Aldina Duarte
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Este poema sobre ti

nessa língua ponte entre nós dizes a língua e outra qualquer coisa
quando dizes a tua boca original a mesma que tantas vezes me dás
no mover de ti e no ondular do som da tua voz quando estou sobre ti
ou tu sobre mim e este poema sobre ti e tantas vezes nunca são
muitas vezes na tua língua
a palavra tem o som da tua voz
em qualquer boca até
na minha
pronúncia atrapalhada até para dizer o teu nome e há qualquer coisa
nesta ponte que fazemos que estendemos em tapete futuro
qualquer coisa metálica e quente uma espécie de fundição no
mover dos lábios para tanto no mover de ti"
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
E o azul de repente

De repente caiu a luz do dia no solo,
de repente apareceu o céu,
e o azul de repente.
Tudo ocorreu de repente,
de repente começou a sair o fumo da terra,
de repente cresceu a planta, de repente saiu a flor.
De repente amadureceu a fruta.
De repente.
De repente,
tudo ocorreu de repente.
A rapariga de repente, o rapaz de repente,
as ruas, o campo, os gatos e os humanos...
O amor de repente
e a alegria de repente."
domingo, 18 de outubro de 2009
De certos encontros de acaso

mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»
A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»"
sábado, 17 de outubro de 2009
De faces nuas
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Mais um dia que passou

no rosto familiar que te esperava
Não é nada, meu amor, foi um pássaro
a casca do tempo que caiu,
uma lágrima, um barco, uma palavra.
Foi apenas mais um dia que passou
entre arcos e arcos de solidão;
a curva dos teus olhos que se fechou,
uma gota de orvalho, uma só gota,
secretamente na tua mão. "
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Com passos de reter tempo
"Devia morrer-se de outra maneira.Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos...)
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de Outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis..."
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Do vento que me atraiçoa
"Tenho ciúme das verdes ondas do mar
Que teimam em querer beijar
Teu corpo erguido às marés.
Tenho ciúme do vento que me atraiçoa,
Que vem beijar-te na proa
E morre pelo convés.
Tenho ciúme do luar da lua cheia
Que no teu corpo se enleia
Para contigo ir bailar.
Tenho ciúme das ondas que se levantam
E das sereias que cantam,
Que cantam p'ra te encantar.
Oh meu amor marinheiro,
Oh dono dos meus anelos,
Não deixes que à noite a lua
Roube a cor aos teus cabelos.
Não olhes para as estrelas
Porque elas podem roubar
O verde que há nos teus olhos
Teus olhos da cor do mar."
António de Oliveira Campos por Carminho, em 'Fado'
(para ti.)
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Essa alegria

É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós.
Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simples e natural. Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando lutemos, como devemos lutar, por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas uma fiel dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu semelhante no que ele tinha de único, de insólito, de livre, de diferente, e foram sacrificados, torturados, espancados, e entregues hipocritamente à secular justiça, para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas, foram estripados, esfolados, queimados, gaseados, e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido, ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de uma classe, expiaram todos os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência de haver cometido. Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer, aniquilando mansamente, delicadamente, por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror, foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha há mais de um século e que por violenta e injusta ofendeu o coração de um pintor chamado Goya, que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve, nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis) de ferro e de suor e sangue e algum sémen a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la. É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente, sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição, e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero. Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia - mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga - não hão-de ser em vão.
Confesso que muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos de opressão e crueldade, hesito por momentos e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam, quem ressuscita esses milhões, quem restitui não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram, aquele gesto de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa que não é nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente em memória do sangue que nos corre nas veias, da nossa carne que foi outra, do amor que outros não amaram porque lho roubaram."
(no dia em que regressa a Lisboa)
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Coisas de nada
"Deixa lá
Não ligues a coisas de nada
Não faças da vida enxada
Acabar em terra dura
Deixa lá
Não lamentes os nossos fracassos
Não esqueças os meus abraços
Não esqueças as tuas ternuras
Deixa lá
Temos um campo, uma cama um colchão
Um amigo em cada mão
Um jardim para regar
Deixa lá
Muitas flores
Muita força
Muitas dores
Pouca terra
Muitos amores
Muita roupa para passar
Deixa lá
Dorme o teu sono tranquilo
que eu cá fico sonhando
acordado na vida
Deixa lá
Deixa lá
Não ligues a coisas de nada
Não faças da vida enxada
Acabar em terra dura
Deixa lá
Não lamentes os nossos fracassos
Não esqueças os meus abraços
Não esqueças as tuas ternuras
Deixa lá
Que o mundo gira ao contrário,
Se nós temos um relicário
Com segredos de amor"
Trovante
para a minha mãe e para a minha irmã. Melhores dias virão.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
A mesma ausência
"Nunca maisCaminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência."
Sophia de Mello Breyner Andresen
(para a minha avó, que morreu há nove meses)
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Abandono à dor

De mim desprendeu-se um desespero selvagem, um abandono à dor que só de ver metia compaixão, uma raiva terrível e impotente, amargura e escárnio, angústia que chorava em voz alta, aflição que não podia encontrar voz, sofrimento mudo. Passei por todas as possíveis epécies de sofrimento. Melhor do que o próprio Wordsworth, sei o que ele queria dizer quando escreveu:
o sofrimento é permanente, obscuro e sobrio e tem natureza do Infinito.
Mas enquanto, por vezes, rejubilava com a ideia de que os meus sofrimentos seriam intermináveis, não podia suportar a ideia de que não tivessem significado. Agora encontro escondida na minha natureza qualquer coisa que me diz que tudo no mundo tem um significado. E o sofrimento mais do que tudo o resto. Que qualquer coisa oculta em mim, como um tesouro num campo, é a Humildade."
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Aqui neste vazio

Criei um mundo nos meus olhos p'ra te olhar
E por amor refiz o céu e o mar profundo
E se não foi amor que mais pudera eu dar.
Deixei saudades no teu rosto desenhado
Pelo meu jeito infantil de te querer.
Fomos a casa, o sol e o vento apregoado,
Erguendo os braços quando a vida os quis erguer.
Dentro de mim, dentro da infância e deste rio
Deixei o amor ao rio que a alma me prendera
E juro a Deus que fico aqui neste vazio,
P'ra além de mim, p'ra além de nós à tua espera."
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Regressar
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Um longo instante

Um grande rio da vida correu entre nós e essa data tão distante. Mal se pode ver, se é que alguma coisa pode ver-se através de fosso tão largo. A mim parece-me ter acontecido, não direi ontem, mas hoje. O sofrimento é um longo instante. Não podemos dividi-lo em partes. Só podemos lembrar-nos dos estados de espírito e descrever o seu reaparecimento. Connosco o tempo não avança: gira. Parece contornar a dor. A paralisante imobilidade de uma vida em que todas as circusntâncias são reguladas por um padrão imutável, para que possamos comer, beber, passear, dormir e orar, ou pelo menos ajoelharmo-nos para rezar, e de acordo com as leis inflexíveis de uma fórmula férrea; esta imobilidade que torna cada horrível dia, no seu mais ínfimo pormenor, igual ao seu irmão, parece comunicar-se àquelas forças externas cuja essência é uma contínua mudança. Nada sabemos e nada podemos saber do tempo da sementeira ou da colheita, dos ceifeiros que se debruçam sobre o cereal ou dos vindimadores enfileirados entre os vinhedos, da erva do pomar tornada branca pelas flores caídas ou coberta pelos frutos. Para nós há apenas uma estação, a estação do Sofrimento. Parece que até o próprio Sol e a própria Lua nos foram tirados. Lá fora o dia pode estar azul e doirado, mas a luz que se escoa através do vidro, espessamente fosco, da pequena janela gradeada por detrás do qual nos sentamos é cinzenta e mesquinha. É sempre crepúsculo nas nossas celas, tal como é sempre meia-noite no nosso coração. E na esfera do pensamento, tanto como na esfera do tempo, não existe movimento. Aquilo que tu pessoalmente já esqueceste há muito tempo, ou podes esquecer facilmente, está a acontecer-me agora e acontecer-me-á amanhã. Lembra-te disto e assim serás capaz de compreender um pouco mais porque te escrevo desta maneira. (...)"
sábado, 29 de agosto de 2009
Gayatri Devi, a última Maharani de Jaipur
Through India has not been ruled by princes for many decades, it is not hard to find princesses about the place. Bollywood stars, for example, in sheaths, shades and bling, whose every move and change of wardrobe is recorded in flashy magazines; fashionistas, aping Kareena’s T-shirt or Priyanka’s bobbed hair, who spend their afternoons eating ice cream in Delhi’s malls; and the VIPs, or VVIPs, who force their cars through the traffic with horns blaring, and who refuse the indignity of being searched at airports.
In contrast to these one may sometimes find, at high tea at the Delhi Polo Club or in the lounge of the Taj hotel, the genuine article. Gayatri Devi was among the most famous of these. Her beauty was astonishing, praised by Clark Gable, Cecil Beaton and Vogue, but liner or lipstick had nothing to do with it. She had a maharani’s natural poise and restraint. From her grandmother, she had learned that emeralds looked better with pink saris rather than green. From her mother, she knew not to wear diamond-drop earrings at cocktail parties. A simple strand of pearls, a sari in pastel chiffon and dainty silk slippers were all that was required. The fact that she looked equally good in slacks, posing by one of the 27 tigers she personally eliminated, or perched, smoking, on an elephant, merely underlined the point. She was a princess, and a princess could make Jackie Kennedy appear almost a frump.
Money was never lacking in her life. As the daughter of Prince Narayan of Cooch Behar, in West Bengal, she grew up with dozens of staff and governesses recommended by Queen Mary. Thirty horses, six butlers and four lorryloads of luggage accompanied the family to their holiday cottage. “Broomstick”, as the family called her—other members were “Bubbles” and “Diggers”—was polished up in Lausanne and Knightsbridge, where she rather redundantly took a secretarial course. Her future husband, the Maharajah of Jaipur (“Jai” to her) first appeared at Woodlands, the family home in Kolkata, resplendent in an open-top green Rolls Royce. When she married him in 1940 her presents included a Bentley, a hill-station house and a trousseau that was left for collection at the Ritz in Paris. Their life came to revolve round the polo seasons in which he starred: winter and spring in India, summer in Windsor or Surrey, the thundering chukkas interspersed with plentiful champagne.
Yet there was an oddity about Gayatri Devi. She was a tomboy who liked to keep company with the servants, worrying about their wages, and with the mahouts, learning their songs and stories of elephants. After meeting Jai at the age of 12 she began to wish she could be his groom, fortuitously brushing his beautiful hand as she handed him his polo stick. Distinctions between raja and praja, prince and people, did not bother her, and she could be as cavalier about the yawning social divide between women and men. As Jai’s third wife, she should have been in purdah in a “city” of 400 other lounging and sewing women, watching the world through filigree screens. Instead she kept him company in the palace, riding and big-game hunting, or flying to Delhi in her private plane to shop. And she set up a girls’ school in Jaipur through which, she hoped, other daughters of the nobility might eventually learn to stick up for themselves.
The perfumed prison
Independence in 1947 brought a democratised India and the replacement of the 562 princely states with centralised, socialist government, but her attachment to “my people” did not change. Command, like style, came naturally to her. In both Cooch Behar and Jaipur, arriving becomingly wind-blown at the wheel of her Buick or her Ferrari, she would be greeted with flowers and incense and with deep prostrations in the dust. The villagers trusted her to help them, so she tried. That intimate understanding between ruler and ruled, she often said later, was sadly missing from modern India. It went with the crumbling of modern Jaipur which, under the maharajahs, had been a glorious desert city of wide avenues, palaces, peacocks and pink walls. She always saw it that way.
In 1960, having asked Jai’s permission and summoned the party secretary to the palace, she joined the liberal Swatantra party to oppose Jawaharlal Nehru’s left-wing Congress. She did not like socialism or five-year plans. A run for parliament two years later for the Rajasthan constituency gave her the world’s largest landslide, 192,909 votes. But this was hardly surprising. The people were voting for “Ma”, their princess, an exquisite figure in pearls and pale chiffon enthroned on a palanquin of carpets, who nevertheless called them her sisters and her brothers.
She continued to field their problems to the end of her life, though her political career as such did not long outlast a spell in Delhi’s Tihar prison in 1975, under Indira Gandhi. The charge was currency offences, based on a few Swiss francs found in her bungalow among the jade, rose-quartz, Lalique and Rosenthal. The prime minister seemed mostly to object to her aristocracy. Gayatri Devi softened the blow by pouring French perfume into the open sewer in her cell. As it ran through the building, Asia’s largest prison and one of its worst, other prisoners gathered to inhale the wafting vapours, the true scent of royalty.




